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Amorphis: uma noite de melodia, peso e vocais impressionantes

A noite do último domingo, 18 de outubro, foi de metal no Carioca Club, em São Paulo. O Amorphis trouxe a turnê Borderland à capital paulista, com abertura da banda brasileira Throw Me to the Wolves. Com a casa cheia, as duas apresentações aconteceram dentro dos horários previstos, mas foi o show dos finlandeses que concentrou os momentos mais marcantes da noite, principalmente pela qualidade dos vocais e pela participação dos fãs.

Throw Me to the Wolves

A banda brasileira subiu ao palco pontualmente às 20h, diante de uma casa que já estava cheia. Com uma proposta voltada ao death metal melódico, o Throw Me to the Wolves trouxe um repertório que combinou peso, passagens melódicas e vocais extremos, apresentando ao público um pouco do universo construído em Days of Retribution, álbum de estreia lançado em 2025.

O set começou com “Chaos”, seguida pela faixa-título “Days of Retribution”. Depois da primeira música, os integrantes cumprimentaram o público com um “Oi, São Paulo!”, dando início a uma interação que continuou durante toda a apresentação.

Em determinado momento, o vocalista perguntou quem já conhecia a banda e pediu para os fãs que eram “lobos” fazerem barulho. A resposta veio com gritos e palmas, incluindo um coro de “ei, ei” no início de uma das músicas. A banda também agradeceu a quem chegou cedo, perguntou se todos estavam curtindo e pediu apoio ao trabalho do grupo.

O repertório seguiu com “Angels Fall”, “Forsaken Fears”, “Tartarus” e “Gaia”. As duas primeiras são composições inéditas apresentadas nessa fase da banda, antecipando novos caminhos para o grupo.

Além do peso instrumental, o Throw Me to the Wolves trabalha com temas que passam por referências mitológicas e conflitos humanos. Em Days of Retribution, essa construção aparece em músicas como “Tartarus”, que remete ao abismo da mitologia grega, enquanto o próprio nome da banda sugere uma ideia de resistência: ser jogado aos lobos e retornar liderando a matilha. É uma imagem que combina com a proposta de um grupo que busca unir agressividade e superação em sua identidade.

Durante a apresentação, a banda também anunciou uma música nova e explicou que a composição falava sobre abandonar os próprios medos. A temática trouxe uma perspectiva mais pessoal ao repertório, mostrando que o grupo não se limita às referências mitológicas e também explora questões com as quais o público pode se identificar.

Apesar da disposição dos músicos e da interação com a plateia, o volume do som foi um ponto negativo. Na minha experiência, estava muito alto e chegou a incomodar um pouco, dificultando aproveitar a apresentação com o conforto desejado. A intensidade acabou prejudicando parte da experiência sonora, embora a banda tenha conseguido manter o público participativo até o fim.

O show terminou antes das 20h44, preparando o terreno para a atração principal. O Throw Me to the Wolves demonstrou potencial e apresentou um repertório que merece atenção, especialmente para quem acompanha a cena nacional de metal extremo. Com um som mais bem ajustado, a experiência poderia ter sido ainda melhor.

Amorphis

Às 21h15, pontualmente, as luzes se apagaram e os gritos dos fãs tomaram conta do Carioca Club. A expectativa era evidente, e a entrada do Amorphis foi recebida com bastante entusiasmo. A casa estava lotada, e o público não demorou a mostrar que estava pronto para acompanhar a banda finlandesa.

A abertura ficou por conta de “Bones”, que deu início a uma apresentação marcada pelo equilíbrio entre peso e melodia. Na sequência, vieram “Light & Shadow”, “Silver Bride” e “Wrong Direction”, mantendo a plateia envolvida. A cada música, os fãs vibravam, cantavam junto e acompanhavam os momentos mais marcantes com palmas e gritos.

Um dos grandes destaques da noite foi a qualidade dos vocais. A performance impressionou pela clareza e pela consistência, a ponto de lembrar a experiência de ouvir uma gravação em CD. A execução dos instrumentos também pôde ser apreciada sem o incômodo que marcou a abertura, fazendo diferença na experiência do show principal.

Tomi Joutsen demonstrou bastante disposição para interagir com o público. Em vários momentos, incentivou os fãs a bater palmas, cantar e aumentar a animação. A resposta vinha imediatamente: a plateia pulava, gritava e acompanhava os refrões, transformando algumas músicas em grandes coros coletivos.

Depois de “Wrong Direction”, o repertório seguiu com “Death of a King” e “Fog to Fog”. Na sequência, a introdução de “Thousand Lakes” preparou a chegada de “The Castaway”, antes de a banda continuar com “The Lantern”, “The Moon” e “Sampo”.

A apresentação manteve um ritmo consistente, alternando momentos de maior intensidade com passagens em que a melodia ganhava espaço. Em “The Smoke”, o público continuou participativo, acompanhando a banda até o bloco que reuniu trechos de “Magic and Mayhem”, “Black Winter Day” e “My Kantele”.

Outro momento de destaque foi “Dancing Shadow”. Com Tomi incentivando a plateia, os fãs acompanharam a música batendo palmas, reforçando a conexão entre palco e público. O vocalista também agradeceu a presença de todos e apresentou os integrantes, demonstrando gratidão pela recepção em São Paulo.

Na reta final, “House of Sleep” trouxe mais um momento de empolgação. As músicas finais estavam entre as mais aguardadas pelo público, e a animação aumentou conforme a apresentação se aproximava do encerramento.

A banda anunciou a última música e deixou o palco, mas os fãs ainda teriam mais um momento para aproveitar. Depois de uma breve pausa, o Amorphis retornou para o encore com “The Bee”, encerrando a apresentação por volta das 22h50.

A escolha foi um ótimo fechamento para a noite. A música permitiu que a banda explorasse sua combinação característica de peso, melodia e atmosferas elaboradas, enquanto o público acompanhava o retorno com entusiasmo. Foi uma despedida que manteve a atenção voltada para o palco até os últimos minutos.

Pyry Hanski no baixo

A apresentação em São Paulo também contou com uma mudança temporária na formação. O baixista Pyry Hanski, que também integra a banda …and Oceans, assumiu o instrumento durante este trecho da turnê, substituindo Olli-Pekka Laine.

A ausência de Laine ocorreu por uma questão familiar: um integrante de sua família estava doente, e o músico precisava permanecer por perto. Por isso, não pôde acompanhar essa etapa da excursão. A participação de Hanski permitiu que a turnê seguisse normalmente, com o baixista assumindo a posição nesta apresentação.

Uma noite de metal em São Paulo

O Amorphis entregou uma apresentação que impressionou principalmente pela qualidade dos vocais, pela execução musical e pela interação com os fãs. A casa lotada, os coros e a disposição da plateia ajudaram a construir um clima animado, que se manteve até o encerramento com “The Bee”.

A diferença na experiência sonora entre as duas bandas também merece destaque. Enquanto o volume do Throw Me to the Wolves estava excessivamente alto e causou certo incômodo, o show principal transcorreu sem o mesmo problema, permitindo aproveitar melhor cada detalhe da apresentação.

Para quem esteve no Carioca Club, foi uma noite que reuniu diferentes vertentes do metal e mostrou a força da interação entre banda e público. O Throw Me to the Wolves apresentou seu trabalho e deixou uma boa impressão apesar dos problemas com o volume, enquanto o Amorphis confirmou sua capacidade de combinar peso, melodia e vocais marcantes em uma apresentação que manteve os fãs envolvidos do início ao fim.

Setlist — Amorphis

Carioca Club, São Paulo — 18/10/2026

  1. Bones
  2. Light & Shadow
  3. Silver Bride
  4. Wrong Direction
  5. Death of a King
  6. Fog to Fog
  7. Thousand Lakes (intro)
  8. The Castaway
  9. The Lantern
  10. The Moon
  11. Sampo
  12. The Smoke
  13. Magic and Mayhem (trecho)
  14. Black Winter Day
  15. My Kantele (trecho)
  16. Dancing Shadow
  17. House of Sleep

Encore:
18. The Bee

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