[Entrevista] Fleshgod Apocalpypse: “Nunca comprometemos o nosso desejo de nos expressarmos da forma mais honesta. Isso é muito importante porque às vezes as bandas não mudam durante a sua carreira e a gente muda muito, o que considero algo positivo”
Em entrevista para o Tramamos, o guitarrista e líder da banda Fleshgod Apocalypse, Francesco Paoli, fala sobre o início da banda, o álbum Opera e os shows no Brasil que farão com o Epica em setembro
Fleshgod Apocalypse é uma banda italiana, formada com o intuito inicial de tocar death metal, mas acabou acrescentando o metal sinfônico em suas músicas com o passar dos anos. Com a consolidação dessa mistura de estilo, eles lançam o álbum Opera que traz algo que é cultural na Itália, as óperas, com o metal.
Confira aqui nossa entrevista com outra banda italiana, o Temperance.
A banda virá para o Brasil em setembro como suporte dos seis shows que o Epica fará pelo país. Para saber mais sobre os shows, clique aqui.
Para falar sobre o início da banda, suas mudanças conforme os anos, o mais recente álbum e a vinda para o Brasil, falamos com o guitarrista e líder da banda, Francesco Paoli e você confere tudo abaixo:
Eu gostaria de começar perguntando sobre o início da banda. Como foi criar o Fleshgod Apocalypse?
Francesco: Isso foi há muito tempo! Eu estava lá (risos)!
A gente começou a banda por diversão, foi a paixão e o trabalho que a gente colocou na banda que a tornou algo que ainda está vivo e indo muito bem.
Queríamos tocar death metal melódico, algo mais americanizado, mas acabou ficando mais sinfônico, com mais opera.
Nunca comprometemos o nosso desejo de nos expressarmos da forma mais honesta. Isso é muito importante porque às vezes as bandas não mudam durante a sua carreira e a gente muda muito, o que considero algo positivo na banda.
A gente começou com o mínimo, de alguma forma, acabamos no tornando mais épico, melódico e com a adição da Verônica é como se a flor desabrochasse (risos). Agora temos nossa própria identidade, próprio som e isso é incrível.
A gente começou há 15 anos, 17 talvez, não sei, estou envelhecendo (risos).
Você chegou a ter essa vontade de profissionalizar a banda?
Francesco: Eu achei que isso era o meu caminho, eu senti que deveria fazer isso da minha vida.
Por um lado, eu acho que foi sorte, é muito fortúnio quando você encontra algo que, de alguma forma, é fácil para você.
Entretanto, isso não é o suficiente, porque você precisa trabalhar muito e fazer dar certo dentro dessa indústria. Não é apenas talento ou sorte ou estar no lugar certo, na hora certa, mas em 99% é dedicação.
Confiar no processo, ter perseverança e acima de tudo é sempre se comprometer a construir a banda. E isso leva muito tempo.
Isso acaba sendo mais voltado ao lado do negócio do que da arte, o que acaba ajudando a banda.
A questão é ser verdadeiro com os fãs que sempre acreditaram em você e gostam da banda, então você nunca os trai.
Isso era algo que eu gostaria de perguntar: A banda é muito mais que a música, são as roupas, a maquiagem.
Francesco: Isso é parte do lado artístico, eu diria. Tudo que a gente já fez artisticamente é sempre sendo super honesto conosco, a gente nunca fez nada para agradar alguém.
Ao mesmo tempo, a gente teve que enfrentar algumas merdas através dos anos porque a indústria e esse mundo não é fácil. A pandemia, por exemplo, imagina para uma banda ficar em casa por 3 anos, não é fácil.
São coisas que você precisar lidar muito bem quando acontece.
A banda tem todo um conceito, seja nas roupas, nos shows, videoclipes e álbuns. Como foi para vocês criarem toda essa estética da banda?
Francesco: Basicamente, a gente mistura a herança musical italiana, que em sua maioria é sinfônico e ópera, com death metal, ou metal no geral, porque é o estilo de música que ouvíamos e ainda ouvimos.
Somos muito fãs desses dois aspectos extremos e pensamos que poderíamos misturá-los.
De alguma forma, é bem próximo no metal sinfônico, por isso que a gente combina muito bem com o Epica, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, temos nossa própria identidade porque é mais sobre essa coisa teatral.
Também com as roupas e toda essa experiência que a gente tenta levar para o palco que é inspirado pela segunda metade do século XIX da Itália.
E está cada vez maior e mais teatral as apresentações da banda. Isso é algo que vocês sempre quiseram fazer?
Francesco: Com o tempo isso cresceu junto com a gente.
Quanto mais a gente vai seguindo, temos mais oportunidades e mais orçamento. Então, ao invés de apenas desperdiçar o dinheiro, a gente tenta investir em algo que posso transmitir uma melhor representação da banda ao vivo, por exemplo.
Também, para essa turnê, a gente está tentando levar alguma produção para a América do Sul, mesmo que não seja tão fácil por causa da logística. Mas ao mesmo tempo a gente sempre tenta ir além do limite e ver o que a gente pode fazer para levar o melhor show para os fãs.
Estamos tentando levar alguns adereços, algumas coisas para a América do Sul também.
Vocês lançaram o álbum Opera ano passado. Me conta como foi o processo de produção desse álbum e como foi criar o conceito para ele?
Francesco: O conceito, basicamente, é a história da minha vida, dos meus últimos 4 anos. Começou por causa de um acidente que eu tive, depois disso, todo o processo de recuperação. Todo esse processo é descrito no álbum.
Mesmo que colocado de uma forma poética, as letras são metafóricas às vezes, mas fala sobre a minha vida, minha experiência pessoal.
Fleshgod tem sido uma trilha sonora, cada conceito dos álbuns, então basicamente a música é a trilha sonora dessas experiências. A gente tenta levar o ouvinte a esse mundo, essa história.
Veronica performa diferentes papéis e é como um diálogo, como em uma ópera, por isso tem esse nome.
A música é mais para o sinfônico porque foi um processo de renascimento, é complicado, é como se você se perdesse muitas vezes. Há algumas canções onde tudo parece perdido, mas ao mesmo tempo há canções sobre vitória, resiliência e motivações poderosas.
A gente precisa de algo épico para ser a base desses sentimentos, por isso, de alguma forma, é mais sinfônico, mas ainda muito brutal porque o que aconteceu comigo foi bem ruim.
Quando surgiu a ideia de colocar um vocal feminino como membro da banda? E de onde veio a ideia de convidar a Veronica Bordacchini para se unir a banda nos álbuns e turnês?
Francesco: Ela está conosco desde 2010 ou 2011 quando ela começou a cantar no álbum Temptation, mas ela apenas fazia algumas partes como soprano. Com o tempo ela foi cantando cada vez mais.
Em 2013, eu acho, ela começou a participar da turnê, foi quando ela se tornou parte da banda.
Antes do Opera, os vocais limpos eram divididos entre o Paolo e ela, mas ele acabou saindo da banda antes do álbum e ela assumiu todos os vocais limpos, o que a deixou com mais espaço agora.
Esse álbum é perfeito porque ele foi criado como um diálogo, então ela teve seus próprios lugares e canta bastante. O que é incrível! Eu acho que é um a mais para a banda porque a gente não perde o peso, mas agora somos mais refinados e clássicos.
Somos amigos desde sempre, é ótimo ter a Veronica e trabalhar com ela.
Ela é uma cantora de ópera, não de heavy metal?
Francesco: Sim, ela tem uma voz ótima, mas é muito tímida e é muito difícil de convencê-la a mostrar a todos o que ela é capaz.
Nesse álbum eu a impulsionei a cantar mais de uma forma moderna, vocais limpos, ou até mesmo scream, e ela arrasou todas as vezes.
Você verá ao vivo como ela é *chef’s kiss* incrível.
*Expressão para algo extremamente bom.
É normal ter vocalistas cantando lírico, mas elas têm uma base no heavy metal, imagino que para ela, sendo uma cantora de ópera, deve ser uma nova experiência. Ter todos esses metaleiros gritando para ela (risos).
Francesco: Sim, mas ela está costumada a estar cercada italianos maus gritando (risos).
Nunca acaba, até mesmo no camarim, a gente continua gritando.
A banda está vindo para o Brasil tocar com o Epica, como está sendo essa expectativa para esses shows?
Francesco: A gente mal pode esperar, dessa vez vai ser incrível.
Primeiramente, vai ser uma turnê muito longa pelo Brasil, seis shows, e estar com o Epica é um privilégio para nós porque podemos tocar para um público maior, em palcos maiores, vai ser incrível.
Não vejo a hora de estar aí! Eu sei o quão apaixonados e fervorosos podem ser os brasileiros.
Eu venho esperando por essa turnê durante o ano todo, a gente está fazendo a turnê pela América e Europa, mas eu fico: “Não vejo a hora de chegar setembro”.
Tenho grandes expectativas para essa turnê e tenho certeza de que será insano.
O Epica é uma das maiores bandas de metal aqui, você fica nervoso por dividir o público?
Francesco: Não, nós somos muito sortudos, porque a gente já fez turnê juntos e eles são super legais, somos bons amigos e estou muito feliz por eles serem uma banda tão grande, eles estão crescendo muito.
Para nós é um privilégio porque é claro que somos mais pesados, mas, especialmente com as músicas novas, temos muitas coisas que podem ser do agrado dos fãs do Epica.
De alguma forma, é uma boa promoção para nós, uma boa exposição para a banda e vamos conseguir tocar para audiências maiores que podem gostar da nossa música também.
Com certeza vamos ter nossos próprios fãs lá, vamos dividir alguns fãs com o Epica e a maioria que estará lá pode não nos conhecer, mas podem ir para casa com uma banda nova para ouvir, o que é incrível para nós.
Eu gostaria saber se vocês estão preparados para o calor aqui no Brasil porque vocês usam muita roupa e muita maquiagem (risos).
Francesco: Mana, nós somos italianos, está fazendo 40 graus lá fora (risos).
Estamos super acostumados com isso. Eu acho que aí em setembro será mais fresco do que aqui agora, aqui está um inferno. Está 45 graus, não faz sentido.
Nós vamos ficar bem! (risos)

