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CEMETERY SKYLINE: termina turnê em grande estilo em São Paulo

O supergrupo nórdico gótico fez um show inédito e emocionante no hangar 110

Resenha por: Mateus Marcatto | Fotos por: Thammy Sartori

O que acontece quando se junta membros das bandas: Amorphis, Dimmu Borgir, Dark Tranquility, Insomnium e Sentenced para criar um supergrupo de rock gótico? O Cemetery Skyline foi revelado ao público no começo do ano passado e vem em uma crescente exponencial, cativando fãs ao redor do mundo com sua sonoridade única e nostálgica, que remete aos clássicos góticos dos anos 80 e 90.

A banda veio de uma série de shows na Europa para divulgar o primeiro álbum, lançado em outubro de 2024, Nordic Gothic. A turnê latino-americana começou no México,  passou pela Colômbia, Chile e Argentina, e terminou em São Paulo, no Hangar 110, com a produção da Overload e Till Dawn They Count Brazil.

PLATEIA ANSIOSA E PRONTA PRA DANÇAR NO ESCURO

A casa já estava cheia quando o relógio marcou 20h30, e a introdução de “Behind The Lie” começou. Em meio a gritos calorosos entraram em cena Vesa Ranta (bateria), Santeri Kallio (teclados), Markus Vanhala (guitarra) e Victor Brandt (contrabaixo). Na explosão de um ritmo dançante com riff pesado, o vocalista Mikael Stanne surgiu dispondo de todo o estilo, cantando sobre a batida e emendando “Torn Away” , que elevou ainda mais o clima festa gótica, com um refrão forte no estilo Sisters Of Mercy.

O público estava nitidamente cativado. Mikael deu as boas-vindas com um “boa noite” à plateia e anunciou “Darkest Night”, talvez a música mais pesada do setlist. Ainda assim, era difícil ver alguém completamente parado. Mesmo em “Anomalie”, com uma vibe mais taciturna, era impossível ficar sequer sem balançar a cabeça.

PERFORMANCES MARCANTES, LUZES COLORIDAS E FUMAÇA TRANSFORMARAM O HANGAR NUMA DISCOTECA GÓTICA

A banda manteve o público fissurado com os visuais estilosos e as  performances dos músicos, nos fazendo até esquecer que muitas das músicas se tratavam de melancolia, solidão e decepção. Victor Brandt tomou frente com a linha de baixo que introduz “Coldest Heart”, faixa que remete muito ao som do Type O Negative. Em seguida, Markus Vanhala sacou o E-Bow (dispositivo que imita o som de arco de violino), e começou um solo cheio de ambiência emendando na soturna “Never Look Back”. Um pouco escondido ao lado da bateria, Santeri Kallio executou com fineza as primeiras notas de “When Silence Speaks”, com um ar mais romântico e profundo. 

Stane relatou brevemente como a banda começou secretamente em 2020, revelando Nothing From This World”, um single lançado recentemente e que ficou de fora do álbum. A faixa rapidamente reacendeu a energia da galera, com um ritmo avassalador, deixando o público ainda  mais animado pra cantar  em alto e bom som o refrão de I Drove All Night”, música do lendário Roy Orbison, reinterpretada por diversos artistas – embora eu considere a versão do Cemetery Skyline a melhor, definitivamente.

OS HITS E HOMENAGENS FECHAM O SHOW DE MANEIRA EMOCIONANTE

Chegando ao final do show, dava pra ver a felicidade estampada no rosto dos fãs e a animação da banda, que tocaria os primeiros singles que apresentaram o Cemetery Skyline ao mundo. “In Darkness” trouxe uma pegada disco goth e fez a plateia sair do chão e cantar em uníssono — é o tipo de música que, se tocada em um cemitério, levanta qualquer defunto. Mikael não se esqueceu de apresentar o homem por trás dos ritmos cativantes, Vesa Ranta, que foi ovacionado a gritos pelo nome, já que havia vários fãs de plantão com camisetas do Sentenced, sua antiga banda e uma das pioneiras do metal gótico. 

Nessa onda, Vanhala começou a tocar os acordes de Konevitsan Kirkonkellot”, uma música tradicional finlandesa que ficou famosa na versão introspectiva e pesada do Sentenced, e logo em seguida, emendando com Violent Storm”, a primeira música lançada pela banda, que já soa como um clássico de décadas.

O ápice da emoção veio antes da última música, pois, mais cedo no mesmo dia, chegou a notícia de que o vocalista do At The Gates, Tomas “Tompa” Lindberg, havia falecido após uma longa luta contra o câncer. Mikael Stanne estava visivelmente emocionado ao relembrar o amigo que partira. O público saudou o nome do finado vocalista enquanto sua foto era exibida nos telões do Hangar. Stanne pediu um minuto de silêncio em respeito ao músico. 

Após um suspiro profundo, ele retomou: “Ele era meu amigo, e eu o amava”. O público aplaudiu, e Santeri iniciou “Alone Together” no teclado, criando uma atmosfera profundamente melancólica. Era possível sentir o peso de cada verso cantado por Mikael, com lágrimas no rosto e o coração aberto, em uma carga emocional intensa que arrancou lágrimas de vários presentes.

Ao final, com o público aplaudindo, o frontman agradeceu pela última vez, diante de uma plateia totalmente entregue ao show. “The Flames of the End”, do At The Gates, foi a trilha escolhida para a despedida da banda, que atendeu todos os fãs que permaneceram para fotos e autógrafos.

Só quem esteve lá pode sentir, de fato, a energia única de um show do Cemetery Skyline, que, mesmo com pouco tempo de existência, provou o verdadeiro significado da palavra supergrupo em termos de banda. A personalidade e a sonoridade da banda, com certeza, vai ser ainda mais elevada nos próximos trabalhos, que os fãs não verão a hora de ouvir. Para os desavisados que perderam o show por algum motivo, há quase uma garantia de que a banda não voltará tão cedo ao Brasil, devido aos inúmeros outros projetos dos membros. Portanto, fiquem atentos ao “Horizonte do Cemitério”.

SETLIST SÃO PAULO 2025

  • Behind the Lie
  • Torn Away
  • The Darkest Night
  • Anomalie
  • The Coldest Heart
  • Never Look Back
  • When Silence Speaks
  • Nothing From This World
  • I Drove All Night (cover)
  • In Darkness
  • Konevitsan Kirkonkellot
  • Violent Storm
  • Alone Together

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