Entrevistas

[Entrevista] Warmen: “O pensamento era totalmente diferente antes, mas começou quando a gente se uniu pela primeira vez e a música era diferente, foi quando a gente percebeu que precisava guiar tudo isso para algo mais brutal”

Em entrevista para o Tramamos, Janne Wirman, fundador e tecladista da Warmen e o guitarrista Antti Wirman falaram sobre a criação da banda, os planos futuros e o novo álbum Band Of Brothers

O Warmen surgiu como um projeto paralelo do então tecladista do Children Of Bodom Janne “Warman” Wirman que tinha a ideia de criar uma banda completamente instrumental e com alguns vocais como convidado.

Após o fim do Children Of Bodom devido o falecimento de Alexi Laiho, Wirman decidiu se dedicar integralmente ao Warmen e convidou Petri Lindroos do Ensiferum para ser vocalista oficial.

Para falar sobre o começo da banda, as mudanças em sua musicalidade, a entrada de Lindroos, os planos futuros da banda e o lançamento do novo álbum deles, Band Of Brothers, nossa jornalista Tamira Ferreira falou com o fundador da banda Janne Wirman e o guitarrista Antti Wirman.

Você confere tudo abaixo:

A banda surgiu como um projeto apenas instrumental, de onde veio a ideia de criar a banda e quando você sentiu que era hora de ter um vocalista fixo?

Wirman: Sim, é uma longa história! A banda surgiu há 25 anos, isso é há muito tempo e exatamente como você disse: originalmente era apenas um projeto paralelo e majoritariamente instrumental. Mas tivemos uma mudança, principalmente nos dois álbuns mais recentes, que foi escrito e gravado desde o fim do Children of Bodom. E agora ela está preenchendo isso, já que que não estou gravando novas músicas, a gente sentiu que precisamos dessa formação e essa banda agora para estar fazendo algo.

A banda está seguindo um caminho diferente atualmente, como surgiu essa ideia de mudar tão drasticamente a banda? Surgiu com a ideia de ter um vocalista fixo?

Antti: Foi acidental, eu acho. A gente foi para o nosso acampamento de verão para escrever músicas e a gente viu que estávamos indo para essa direção.

Wirman: Sim, a gente se sentou e começou a compor e estava mais pesado, era diferente. Foi quando a gente percebeu que não estávamos mais interessados em fazer… Sabe? Porque o pensamento era totalmente diferente antigamente. Mas, agora, meio que começou quando a gente se uniu pela primeira vez e a música era diferente. Foi quando a gente percebeu que precisava guiar tudo isso para algo mais brutal.

E houve alguma mudança nas letras também? Como é o processo de composição de vocês, especialmente para esse novo álbum?

Wirman: Dessa vez foi mais fácil em um sentido porque a gente sabia que Petri iria cantar tudo. Na última vez, quando escrevemos as melodias e as letras, a gente não sabia quem seria o cantor. Mas agora é talvez mais encaixado os vocais e as letras porque a gente sabia quem iria cantar.

O processo de composição das letras é feito, na maioria, pelo nosso baixista, Jyri. Eu tentei o ajudar o máximo que pudesse, com o tempo que a gente tinha.

Sim, os temas são de cotidiano, sobre as guerras que estão acontecendo e coisas desse tipo. É o que a gente acaba colocando nas letras, basicamente.

E tem muita ficção, séries de true crime, filmes e coisas assim.

Quando eu vi o novo Band Of Brothers, eu lembrei da série de guerra que também tem esse nome. Tem alguma conexão?

Wirman: Sim, é um jogo de palavras que a gente gosta de fazer hoje em dia.

O que é legal nessa banda é que ela é formada por membros de outras bandas. Vocês acham que isso interfere no jeito que vocês criaram o Warmen? E eu gostaria de saber como você decidiu ter esses membros e convidar todo mundo.

Wirman: Hoje em dia eu acho que nenhum de nós estamos em outras bandas, com exceção do Petri, ele ainda está bem ativo com o Ensiferum. Mas nenhum de nós temos mais energia para fazer qualquer outra coisa (risos).

Ensiferum é uma banda bem ocupada, mas há tempo suficiente para fazermos o que queremos fazer.

Jyri está na banda há muito tempo, ele tinha outra banda, mas todos nós praticamente desistimos de outros projetos para concentramos nisso.

Mas você acha que essa experiência de ter participado de outras bandas acabou fazendo essa banda diferente?

Wirman: Claro, toda a experiência que você ganha em uma banda te influencia de alguma forma. Pode ser conhecimento de como criar um arranjo ou como organizar o transporte no aeroporto (risos). Como empacotar um instrumento para alcançar o mínimo peso. (risos)

Toda vez que você trabalha em uma banda, e cada uma faz de uma forma diferente, você aprende algo, eu espero. E você traz todo esse conhecimento quando você se junta ao próximo grupo de pessoas para planejar as coisas.

Isso não é muito musical, mas você me entende (risos). Com certeza também é musical, você acaba trazendo essas influências, tudo isso.

Coincidentemente, eu entrevistei alguns artistas finlandeses esse ano. Uma das minhas entrevistas foi com a vocalista do Luna Kills, ela me disse que havia um crescimento do death metal na Finlândia. Como você vê a cena heavy metal finlandesa hoje em dia?

(Nessa hora os dois começaram a rir e ficaram sem saber o que responder)

Antti: Eu não penso nisso (risos).

Wirman: Eu realmente não sigo a cena.

Antti: A gente conhece o Luna Kills, é claro.

Wirman: Eles saíram em turnê com a gente e foi bem legal. Mas eu não sei se o death metal está vindo ou indo na Finlândia, isso não afeta o que estou fazendo.

Nós estamos fazendo o estilo de música que sentimos fazer atualmente. Se alguma trend está surgindo, ou não, não nos afeta.

Estamos velhos demais para acompanhar a cena ou saber o que está acontecendo. Eu não me importo, a gente apenas faz o que faz.

Antti: A gente só escuta música country americana.

Wirman: Sim, na nossa folga, a gente só escuta country. E uma vez a cada dois anos a gente se une e escreve alguns riffs, esse é o nosso conhecimento em música hoje em dia (risos).

Vocês estão prestes a lançar o álbum Band Of Brothers, o que a gente pode esperar desse novo álbum?

Wirman: Com o álbum anterior a gente achou que era bem pesado e sentimos que não conseguiríamos ser mais ainda. Foi quando a gente começou a escrever riffs para esse álbum e, na verdade, acabou ficando ainda mais pesado.

Eu trabalho na indústria da música há mais de 25 anos, quando você já lançou 9 ou 10 álbuns de estúdio e em cada entrevista você precisa clamar que o álbum mais novo é o mais pesado, na realidade nunca é. Porém, com Warmen…

Antti: Agora é.

Wirman: Eu posso garantir, com os meus 46 anos, que nosso novo álbum é mais pesado que o antigo (risos). É muito louco, eu não sei como isso aconteceu.

A gente não planejou isso. Para ser honesto, eu achei que a gente deveria ir um pouco mais devagar, para ter um setlist ao vivo mais fácil para tocar. Porém, quando a gente se sentou e começou a escrever os riffs, veio mais pesado.

É mais brutal, e reflete como sentimos.

Vocês disseram que todos participaram do processo de composição do álbum. Como foi essa experiência? Foi fácil, natural ou vocês tiveram alguns problemas?

Wirman: Foi bem fácil! Foi majoritariamente mandar demos uns para os outros, a gente realmente não se sentou em uma sala e “deu as mãos” (risos).

Antti: Foi o processo similar do último álbum onde eu, Wirman e Jyri fomos os compositores principais, mas dessa vez o Petri e Seppo tiveram algumas ideias e mandaram para gente. Então a gente arrumou isso dentro da nossa visão.

Talvez dessa vez, porque a gente sabia que o Petri iria cantar, foi mais fácil de escrever as músicas.

Pode ter afetado também o fato de ser mais pesado dessa vez.

E é bem diferente do jeito que ele (Petri) canta no Ensiferum?

Wirman: O que é bom, eu gosto disso.

É claro, Ensiferum está fazendo seu próprio trabalho e isso é ótimo, mas eu gosto que tenha essa distinção, dos estilos serem diferentes.

Eu gostaria de saber sobre os planos futuros, o que vocês estão planejando além do lançamento do álbum?

Wirman: Nós vamos tocar em alguns festivais pela Europa e em alguns países que nunca tocamos, o que é legal.

Estamos expandindo nossas turnês aos poucos, esperamos tocar na Europa Central em breve, mas não sabemos.

Temos planos de nos manter mais ativos com shows e turnês.

A gente começou devagar e fizemos vários shows na Finlândia, o que foi muito divertido. Estamos com uma boa base para começar a crescer. Não apressamos nada: “Vamos para esse país e perder uma caralhada de dinheiro”.

Nós crescemos de uma forma diferente dessa vez, a gente começou na Finlândia e agora que estamos confortáveis com essa formação, estamos expandindo.

Então o foco agora é a Europa, vocês não têm planos para América do Norte ou do Sul?

Wirman: Não! Você nunca sabe, mas a gente está indo devagar. Eu acho que a gente precisa conquistar a Europa primeiro (risos).

Antti: A gente sabe que muitas pessoas gostariam que a gente fosse, mas não é tão barato viajar com a banda.

Wirman: Há muitos fatores! A gente quer, mas agora não é possível. Estamos construindo isso e vamos ver como será no futuro.

Tem um festival aqui no Brasil, o Bangers Open Air, ele surgiu com a mesma ideia do Summer Breeze na Alemanha. Ensiferum tocou aqui esse ano e estava completamente lotado. Então eu acho que esse festival é uma ótima opção para vocês. Vocês deveriam dar uma olhada.

Wirman: Sim! A gente pode falar com o Ensiferum já que eles tocaram aí e ver como foi. Bom saber!

 

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