[Entrevista] Cemetery Skyline: “Com essa banda a gente pode fazer as coisas de forma diferente e queríamos isso porque todos nós já estamos na música há muito tempo”
Em entrevista para o Tramamos, o guitarrista e fundador, Markus Vanhala nos conta de onde surgiu a ideia de montar a banda, sobre o novo álbum Nordic Gothic e a expectativa para os shows no Brasil
O supergrupo finlandês Cemetery Skyline é formado por grandes nomes do heavy metal e oriundo das bandas Dark Tranquillity, Insomnium, Amorphis, Dimmu Borgir e Sentenced.
Eles lançaram seu primeiro álbum, Nordic Gothic em 2024, mas já alcançaram um grande sucesso dentro da cena gótica mundial.
Para falar sobre o álbum, o início da banda e a vinda para o Brasil, nossa jornalista Tamira Ferreira conversou com o guitarrista Markus e você confere tudo abaixo:
Eu gostaria de começar perguntando sobre o início da banda, mas eu acho que a gente poderia aprofundar um pouco mais. Eu gostaria de saber como você se sentiu com a ideia de montar essa banda e com músicos tão significantes na música nórdica?
A ideia para essa banda veio fora dela, porque eu estava no cruzeiro 70000 Tons of Metal em 2020 e estávamos com colegas das outras bandas, bêbados perto do bar. Quando um dos meus amigos suecos veio, me dando uma chave de pescoço e falando: “A gente precisa montar uma banda”.
Eu disse: “Ok, vamos lá! Que tipo de banda?”
Ele disse: Há um vazio no mundo de música gótica, ninguém mais toca metal gótico hoje em dia. E todo mundo amava”.
Eu pensei que era uma ótima ideia. Foi assim que as coisas começaram a construir, mas nada mais aconteceu por algum tempo.
Quando começou a pandemia, o que foi vantajoso para nós, já que o mundo todo estava parado. Então, a gente aproveitou para voltar aquela ideia de formar uma nova banda, o que é ruim no mundo corrido, mas não estávamos mais ocupados.
Foi quando eu comecei a ter a ideia na minha cabeça, que era muito boa, porque eu sempre amei bandas como Type O Negative, Sisters Of Mercy, todo esse metal gótico dos anos 90. Até mesmo Sentenced, Paradise Lost, que tinha direções no gótico.
As coisas começaram a acontecer, comecei a falar com meus amigos de estrada, primeiro com Santeri Kallio do Amorphis porque saímos em turnê juntos algumas vezes e conversamos sobre ser legal fazer música juntos. Eu o mandei uma mensagem falando que era a hora.
Eu tinha músicas, algumas que ele gostou, e começamos a pensar em pessoas que combinariam com esse tipo de banda.
O próximo que eu pensei foi o Mikael Stanne, a gente pensou em quem seria o melhor vocalista para esse tipo de música porque a gente não tinha mais o Petter Steele (risos) para colocar na banda. E, de alguma forma, estava ouvindo Dark Tranquility e me veio a mente que Mikael seria voz perfeita esse tipo de música.
Ele não anda cantando com vocais limpos ultimamente, como no Dark Tranquility, mas a gente queria essa volta do metal gótico com um álbum cheio de vocais limpos do Mikael Stanne.
Mikael estava feliz ao ouvir as demos, depois vieram o Victor e o Vesa, agora tínhamos uma banda.
Infelizmente, o baterista que realmente formou essa banda (risos), não está nela porque ele estava muito ocupado na época. Mas ele vê tudo de fora e está feliz.
Todo mundo nessa família gótica miserável está feliz.
Quando era adolescente, eu era muito fascinada pelo heavy metal finlandês como Sentenced, Poisonblack, HIM, The 69 Eyes, entre outras. Eu sei que o estilo vem do gótico, mas vocês criaram algo completamente novo dentro do estilo que acaba sendo tão particular. É muito fácil ouvir uma banda e pensar: “Eles são da Finlândia, ou a maioria deles é”. Como foi para você moldar esse estilo para a banda?
No começo, eu só estava tentando copiar o máximo que podia do Type O Negative e fazer disso um tributo, mas eu acho que falhei miseravelmente porque a gente não soa como eles (risos). Então a gente acabou tendo essa característica de melancolia finlandesa que, de alguma forma, está em nosso sangue, gostando ou não. Esse é meu estilo e como faço música, com essa energia finlandesa, não há nada que eu possa fazer a respeito (risos).
A gente não pode soar como uma banda do Brooklyn, mesmo se tentássemos.
Você mencionou o Sentenced, Vesa é o único gótico real dessa banda porque ele tocava música gótica nos anos 90 com o Sentenced. HIM, eu sempre amei essa banda e de alguma forma eles tiveram alguma influência para o Cemetery Skyline. Mesmo a gente não notando, mas é verdade (risos).
Em algum lugar entre essas linhas surgiu o Cemetery Skyline. Por sorte temos um cantor sueco, então não é apenas sobre a melancolia finlandesa.
Eu já entrevistei bandas da Finlândia e eles sempre falam que o processo de composição deles é influenciado por eles serem finlandeses: as florestas, o frio e a escuridão. Então eu acho que esse é um dos motivos do som ser tão único.
Soa muito clichê essas coisas que você disse, mas costumam ser verdade. A Finlândia é bem diferente do Brasil (risos).
Eu acho que um dos motivos dos músicos finlandeses fazerem músicas tristes é porque a gente foi moldado com isso. Quando éramos crianças, a gente tinha que ouvir na escola música folclórica finlandesa, músicas de Natal, músicas infantis e a maioria de nós gosta.
Até mesmo músicas de Natal são tocadas em notas menores e são miseráveis. A gente cresceu com isso, não é algo pela metade, está codificado no nosso DNA.
É realmente diferente porque aqui no Brasil está fazendo 24ºC e estou congelando, para vocês não deve ser nada.
Para gente seria um dia quente de verão finlandês.
Vocês fizeram uma versão de I Drove All Night da Cindy Lauper e isso é muito comum em bandas finlandesas de fazer versões heavy metal de músicas pop. O HIM fez várias vezes, teve o Northern Kings que fazia versões de pop dos anos 80. Você acha que essas músicas acabaram influenciando esse estilo diferente que a gente falou antes?
Sim, todos nós gostamos de música pop dos anos 80 e 90.
Você disse Cindy Lauper, mas na verdade é do Roy Orbison. Ele fez essa canção, mas morreu, então a Cindy Lauper a lançou. A Celine Dion também tocou essa música.
Já houve várias versões, mas a gente achou que era uma boa canção e o tema é combina com o estilo gótico, então tudo encaixou muito bem.
Eu fiz uma versão demo de como ela seria em uma banda gótica e pensei que acabou ficando muito boa. Os outros caras amaram desde o começo.
Meu jeito de fazer música cover é a deixando como a sua banda, como se fosse autoral, aí vale a pena.
Não gosto de fazer um cover e tentar soar igual o original porque ele sempre será melhor do que a sua cópia.
E você não conseguiria dançar no escuro com a versão do Roy Orbison, ou da Celine Dion. Talvez na versão da Cindy Lauper, porque é meio gótico e legal.
Algumas semanas atrás eu entrevistei uma banda finlandesa, o Luna Kills, que tinha um estilo completamente diferente do que estávamos acostumados ouvir na Finlândia. Eles seguiam um metal mais moderno, o que faz sentido pela geração. Aí a vocalista me falou um pouco sobre a cena finlandesa, ela me disse que havia um crescimento do death metal por aí. Como você vê a cena heavy metal da Finlândia hoje em dia?
Agora você me pegou, eu sou um velho ouvinte, na verdade (risos).
Eu tenho ouvido o nome Luna Kills em alguns lugares, mas eu ainda não ouvi sua música.
É uma ótima banda!
Eu deveria mesmo checar porque muitas pessoas falam a mesma coisa.
Já ouvi que, em muitas direções o death metal, igual o antigo, está crescendo na Finlândia. Também esse Metalcore, mas estou muito feliz com o death metal tradicional porque eu gosto muito e cresci ouvindo Dismember, todo esse death metal, eu amo. É bom que está voltando (risos).
E é muito bom porque está vindo com uma cara nova, que representa essa geração.
Todo esse deathcore e metalcore agressivo está acontecendo, mas é muito rápido para mim, eu sou um cara mais devagar que toca cover da Cindy Lauper (risos).
Vocês lançaram o álbum Nordic Gothic que tem letras bem impactantes e profundas, como foi esse processo de composição e produção do álbum?
Demorou demais! A gente levou 4 anos para fazer esse álbum, porém é por isso que ficou tão bom. É o tempo mais longo que eu já produzi um álbum, porque a gente não tinha nenhuma pressão externa, ninguém sabia que a gente existia. Então a gente ficou escrevendo música, e nos sentimos bem com isso, não tínhamos planos de lançar. A gente fazia essas músicas como um grupo de amigos.
Em certo momento a gente notou que tinha um álbum cheio de coisas boas, então começamos a mandar as demos para algumas gravadoras.
Foi quando a gente começou a considerar que isso iria ficar sério.
A gente gravou o álbum no período de um ano, na Finlândia e na Suécia. A maioria dos membros estava gravando sozinho, em diferentes estúdios.
Vocês tiveram uma atitude muito audaciosa em tocar no John Smith Rock Festival mesmo antes da banda ser divulgada para o mundo. Como foi essa experiência para vocês?
Com essa banda a gente pode fazer as coisas de forma diferente e queríamos isso porque todos nós já estamos na música há muito tempo.
Com o contrato da gravadora, eu estava no escritório da Century Media e eu não havia mandado a demo para eles. Eu estava em uma reunião e disse para o pessoal de lá: “Hey, eu tenho uma nova banda, estou com a demo, quer ouvir?”
Então fomos para a sala de audição, de uma forma tradicional. Eles ouviram as músicas e imediatamente assinamos, o que é muito legal.
Sobre o festival, a gente nunca pensou que seríamos uma banda para tocar ao vivo, mas Jonne, o promotor do John Smith, é meu querido amigo e quando ele soube dessa banda, ele nos forçou a tocar em seu festival.
Mas as pessoas não sabiam o que era Cemetery Skyline, não havia músicas, não havia nada. E a gente gostava disso.
Jonne foi louco o suficiente de fazer a nossa vontade de apenas colocar o nome no cartaz, queríamos colocar no alto, quase como um headliner e ver o que as pessoas iriam falar.
A gente ria com a internet, as pessoas falando: “O que é isso? Isso deve ser uma volta secreta do HIM. Ou Sentenced está se reagrupando?”
Fomos anunciando um membro de cada vez, o que foi algo divertido e diferente.
A primeira vez que eu ouvi sobre a banda, as pessoas estavam muito animadas me falando sobre vocês e eu falei: “Está bem! De quando é essa banda?”. E eles me disseram que vocês haviam lançado um álbum ano passado. Como vocês se sentem com toda essa paixão por uma banda relativamente nova?
A gente já fez alguns shows na Finlândia e recentemente fizemos nosso primeiro show em outro país, na Suíça em um festival. A gente tocou depois do In Flames e antes do Slipknot, então foi uma vaga bem legal para uma nova banda.
A reação foi muito calorosa da maioria das pessoas, as garotas estavam dançando e cantando as músicas.
Eu já ouvi que outras bandas tiveram primeiros shows piores, mas a gente teve um bom começo.
A gente sabia, quando juntamos todas as músicas, que a gente tinha algo bom com esse grupo. Havia uma mágica ali fazendo isso.
Você acha que a experiência que os membros já tinham ajudaram a criar o estilo da banda e unir tudo isso. Porque cada um toca em diferentes bandas, com diferentes estilos.
Foi um pouco estranho para essa banda, ter todos esses caras juntos que vieram de grandes bandas, super profissionais e todos sabem o que estão fazendo. Foi legal ver os diferentes ângulos que as pessoas trabalham.
Por exemplo, eu e o Santeri trabalhamos de forma diferente compondo música, mas a gente deu certo juntos muito facilmente, o que deu nossa própria força no processo.
Mikael é um excelente contador de histórias, suas letras são insanamente legais e todo esse mundo que ele criou para o álbum é formidável.
Tudo funciona muito bem com esse grupo, o que é esquisito (risos).
Nós éramos amigos antes disso, mas não sabíamos como seria e tem sido muito fácil.
O álbum emana uma vibe de solidão em meio ao caos, igual acontece em grandes cidades como Tokyo, São Paulo, Nova Iorque e a capa projeta perfeitamente essa melancolia distópica. Como foi criar esse conceito? E como foi o processo de criar as letras e a melodia?
A gente começa com a melodia, então Mikael trouxe algo e a gente redefiniu as canções.
No final da sessão, Mikael contou para nós o conceito que estava criando e nos impressionou. Essa coisa de viver em uma cidade grande e estar mais sozinho que todos, as pessoas morrendo sozinhas porque não conhecem mais ninguém.
O que, ao mesmo tempo, é um ângulo diferente do gótico tradicional, mas ainda é bem gótico. Por isso que se chama Nordic Gothic, porque não é como o gótico italiano (risos).
A banda está vindo para o Brasil. A gente estava surtando aqui porque vocês anunciaram os shows na Colômbia e no México, mas nada no Brasil. Demorou um mês para o anúncio aqui. Qual as expectativas de virem para o Brasil?
Estávamos provocando um de cada vez (risos), adicionando mais shows, e vendo as pessoas implorando: “Come To Brazil”.
Primeiro foi marcado um show nos Estados Unidos, então a gente decidiu que deveria ir para o sul, para a América Latina. A gente não sabe se as pessoas nos conhecem aí, mas sabemos que o metal gótico é bem popular. Então a gente decidiu tentar, e gostamos do seu clima (risos), por isso estamos indo.
Esperamos que tenham algumas pessoas nos shows.

SERVIÇO
Data: 16 de Setembro de 2025 – Terça-feira
Abertura: 19:00
Local: Hangar 110
Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro – São Paulo, SP
Classificação +18
Ingressos:
1º Lote – Pista – Meia-entrada: R$ 220,00
1º Lote – Pista – Solidário (doe 1 Kg de alimento não perecível): R$ 220,00
1º Lote – Pista – Inteira: R$ 440,00
1º Lote – Camarote – Meia-entrada: R$ 290,00
1º Lote – Camarote – Solidário (doe 1 Kg de alimento não perecível): R$ 290,00
1º Lote – Camarote – Inteira: R$ 580,00
Venda: https://www.clubedoingresso.com/evento/cemeteryskyline
