Best of Blues and Rock 2025: domingo mostrando a qualidade e história da música
O último dia de festival trouxe a nata da música mundial com grandes nomes que mostram como canções de qualidade são feitas
O Best Of Blues and Rock é um evento que sempre traz artistas com alto nível musical e diferentes estilos dentro do rock e do blues. Já tiveram atrações em suas edições anteriores como Tom Morello, Goo Goo Dolls, Zakk Wylde, entre outros. Mas o que todos esses artistas têm em comum? O amor e a criatividade para criar uma identidade própria em um estilo que dá liberdade e abrangência para você ser quem é.
A edição desse ano não foi diferente e o domingo estava com 3 artistas que expressavam exatamente isso.
Você confere tudo como foi abaixo:
Hurricanes

A banda brasileira Hurricanes vêm com todo o estilo do rock clássico dos anos 70, uma pitada de blues e usando até as roupas características.
Formada em 2016, a banda possui dois álbuns, tendo o mais recente, Back To The Basement, lançada em 2024.
Antes do show, a banda tirou um tempo para dar entrevistas para várias mídias e já usavam as roupas clássicas da era hippie com calças bocas de sino, coletes, camisas largas, chapéus e óculos gigantes. Parecia uma cena de Quase Famosos, filme de Cameron Crowe.
Já em cima do palco eles traziam uma pose de banda experiente e que sabia exatamente o seu papel ali. Cada membro ficava focado em seu instrumento, mas constantemente dançando e batendo os longos cabelos durante as músicas.
As backing vocals dançavam e interagiam entre si ou com o vocalista, tudo com muito charme e elegância.
Não era uma banda de grandes performances, ou movimentos teatrais, mas eles entregaram exatamente o que era de agrado dos fãs daquele dia: música de qualidade e muito bem performada.
O vocalista era quem mais se movimentava e corria de um lado para o outro para interagir com os outros membros. Ele também olhava constantemente para o público enquanto cantavam as canções da banda.
Próximo do fim do show, ele disse que era um sonho sendo realizado estar naquele palco e completou: “Era como se qualquer um de vocês estivesse aqui em cima”.
Da plateia, era possível ouvir elogios a banda e diferentes opiniões sobre a qualidade musical dos brasileiros. Cada um acabou sendo cativado por algo diferente, dependendo de seu gosto particular.
A banda sai do palco com sentimento de dever cumprido e o orgulho de ter vivenciado aquele momento tão importante para eles.
Judith Hill
Judith é uma cantora e guitarrista de blues e jazz que consegue materializar emoções através de sua música.
Com 15 minutos de atraso, Judith entra sozinha ao palco e começa a cantar o clássico Feeling Good de Nina Simone, sem os músicos, o que está no comando ali é a voz poderosa e impactante de Judith que já nos dá uma pequena mostra do que estará por vir.
Após seus músicos entrarem, Judith apresenta um set de músicas autorais que passam pelo blues e o jazz e contam a história de vida da americana de descendência japonesa que tem a música no DNA e já trabalhou com grandes artistas como Michael Jackson e Josh Groban.
Constantemente Judith apresentava sua mãe Michiko Hill que estava no piano e mostrava como o fato da mãe ser musicista a influenciava em suas músicas e na sua vida. Ela sempre ressaltava a importância de estar perto da sua família e como seus músicos eram importantes para ela naquele momento.
Judith também falava sobre suas inspirações para compor as músicas, como a sua descendência asiática, as dificuldades em ser mulher e momentos particulares de sua jornada que a inspiraram na hora de compor. Era por isso que estava tão visível a vulnerabilidade e sensibilidade de Judith na hora de interpretar suas músicas.
Mesmo para quem não era um grande conhecedor de sua carreira, era fácil se seduzir e apreciar sua qualidade e potência musical.
A entrega de Judith em cima do palco era tanta que era possível ver a artista suando enquanto todos estavam agasalhados no frio congelante que fazia na noite de domingo.
Judith sai do palco sendo o aquecimento perfeito para o que estava por vir e um prato cheio para amantes de música.
Deep Purple

A banda final da noite e a mais esperada por quem estava ali, eram os dinossauros do rock Deep Purple.
Era possível ver desde o começo do dia pessoas com camisetas da banda e comentando sobre shows passados que eles já foram, músicas favoritas e histórias diversas deles como fãs.
O que também chamava atenção era a diversidade de pessoas que estavam ali, havia de jovens até idosos tendo o Deep Purple como inspiração.
A banda conta comais de 60 anos de carreira e um sucesso consolidado no mundo do rock n’ roll sendo uma das bandas mais significativas do estilo.
Mesmo a idade avançada não os impediu de entregar um show impecável e mostrar o porquê deles serem tão grandiosos dentro do estilo.
O show começa com o clássico Highway Star que já entrega uma energia alta e animada para aqueles que estavam esperando ansiosos pelo show.
Era possível ver um público mais cheio que o do dia anterior, estava até difícil andar entre as pessoas ou tentar chegar mais para o meio da plateia. O que enchia os olhos dos músicos que ficavam constantemente admirados com os fãs que cantavam todas as músicas e participavam ativamente do show.
Ian Gillan conversava com os fãs ao começo de cada música e agradecia animado a todos que estavam ali. Ele constantemente falava sobre estar feliz de voltar para o Brasil e conversava com os fãs como na hora que todos gritavam seu nome e ele rindo disse: “Está bom, já chega”. Ou quando gritaram: “Eu te amo” e ele rapidamente responde: “Nós também amamos você”.
Nos momentos em que o vocalista não estava cantando, ele se encontrava ao fundo do palco, tocando sua meia lua e sorrindo o tempo todo para os fãs.
Os outros músicos também expressavam carisma e alegria enquanto tocavam. O guitarrista Simon McBride, membro mais jovem da banda, era quem ficava responsável pelos solos característicos das canções.
Próximo ao final do show, Simon parou em silêncio na frente do palco e os fãs começaram a gritar por Smoke On The Water, uma fã até brincou dizendo que estava na hora da “fumacinha”. Foi na hora que Simon começou o solo da canção, que todos começaram a gritar e se animaram ainda mais para cantar junto.
Don Airey também entregou um show a parte em seus solos de teclado e mostrando a extrema felicidade em estar no Brasil. Durante a coletiva de imprensa, Don contou que era muito fã de Bossa Nova e conseguiu demonstrar isso durante o seu solo. Ele também mostrou que mesmo tendo passado dos 70 anos, a agilidade e facilidade em tocar ainda era a mesma de sempre.
Após Smoke On The Water, a banda agradece aos fãs e sai do palco, mas ninguém se mexe na plateia, esperando ansiosamente pelo bis que iria contar com mais duas músicas e fechando com outro clássico, Black Night.
Mesmo após a banda se despedir pela segunda vez dos fãs e agradecer a presença de todos, a vontade do público era de ficar ali, vivendo aquele momento por mais algumas horas. Eles claramente não estavam cansados ou querendo que aquela noite acabasse.
O festival termina em grande estilo e mostrando um dia de festival que traz exatamente a sua proposta: Música de qualidade, com muito blues e rock.






































